1968

A fotografia mostra Geraldo Júlio, o Dinho, coroado, sorrindo para a câmera enquanto, ao fundo, uma multidão ocupa o salão em clima de Carnaval. A cena é de 1968, no Londrina Country Club. Ele está à frente da festa, mas também faz parte dela.
Londrina tinha bailes quase desde a fundação. E, entre tantos foliões, teve um dos mais marcantes “reis Momo” de sua história. Dinho não foi escolhido por eleição formal. Não precisou. Sua figura física lembrava o arquétipo carnavalesco: presença imponente, gestos largos, riso fácil. Mas o que o tornou inesquecível foi a forma de viver.
Dinho encarnava o espírito da folia o ano inteiro. Alegre, cordato, agregador, parecia carregar uma missão pessoal de espalhar bom humor. Conta-se que chegou à cidade como garoto-propaganda da antiga Maltaria e Cervejaria Londrina, que ficava no bairro que até hoje conserva o nome Cervejaria. E seu trabalho consistia num gesto simples e simbólico: convidava alguém para beber uma cerveja e a casa pagava.
Sua popularidade atravessava ambientes. Conhecia todos, falava com todos, transitava entre clubes, bares, igrejas e espaços públicos. Chegou a ser eleito vereador, levando para a Câmara Municipal a mesma espontaneidade que marcava os salões de Carnaval. Não dependia do cargo para ser querido. Era um monarca popular, daqueles que reinam por afeto.
Conta-se que mantinha até diálogos espirituosos com Dom Geraldo Fernandes, primeiro bispo e depois arcebispo de Londrina. Verdade literal ou não, as histórias sobreviveram porque ajudam a desenhar seu personagem: uma pessoa capaz de circular com naturalidade entre a solenidade e a brincadeira.
Fontes: Folha de Londrnia / O Londrinense / Acervo Londrina Histórica.
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