Londrina

Quando Nitis pôs o FILO em livro

2010


Em maio de 2010, o FILO ganhou um novo palco: o da memória escrita. Naquele mês, Nitis Jacon lançou em Londrina o livro Memória e Recordação – Festival Internacional de Londrina – 40 Anos, noticiado pela Folha de Londrina como o relato de uma protagonista do festival. O gesto tinha peso simbólico. Depois de décadas em que o FILO se afirmou por meio de espetáculos, encontros e experimentações, sua história passava a ser organizada também em páginas, como se a própria cidade precisasse registrar por escrito aquilo que já fazia parte de sua identidade cultural.

O livro, segundo a reportagem, funcionava como um elo entre 1968 e os anos seguintes. Reabria o ambiente de um tempo marcado pelos assassinatos de Martin Luther King e Robert Kennedy, pela Guerra do Vietnã e, no Brasil, pelo AI-5. Mas não ficava preso ao contexto de origem. Também apontava para o futuro de um festival que, ao longo do tempo, trouxe a Londrina nomes como Eugenio Barba e Kazuo Ohno. Numa das lembranças registradas, Nitis rememora o encontro com Ohno e a emoção provocada pela recepção do público, numa passagem que ajuda a medir a dimensão afetiva que o FILO acumulou em sua trajetória.

Talvez o aspecto mais interessante esteja na forma como Nitis definia o próprio festival. Para ela, o FILO não era apenas “um momento de encontro no meio do ano”, mas uma continuidade que se estendia por todos os meses. Essa leitura desloca o festival do calendário e o aproxima de um processo permanente de formação, curadoria e invenção. Também ajuda a entender por que o FILO, internacionalizado a partir de 1988 e mais tarde celebrado como “Festival de Todas as Artes”, conseguiu escapar da condição de evento episódico para se tornar uma referência mais profunda na vida cultural da cidade.

Na mesma reportagem, Luiz Bertipaglia dizia que, se houvesse alguém para contar a história do FILO, teria de ser Nitis. A frase resume bem o papel que ela ocupou. Não apenas como dirigente de um festival, mas como uma de suas principais intérpretes. Num circuito nacional frequentemente empurrado para programações parecidas, Nitis defendia que o FILO continuasse diferente. O lançamento do livro, assim, não foi simples celebração de aniversário. Foi também uma forma de afirmar que a memória do festival fazia parte de sua resistência.

Fontes: Acervo Folha de Londrina / Universidade Estadual de Londrina / Acervo Londrina Histórica.

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