1982
A Copa chegando primeiro às vitrines

Antes de a bola rolar na Espanha, a Copa do Mundo de 1982 já começava a mudar a paisagem urbana de Londrina. O torneio teria início em 13 de junho, mas dias antes o clima de expectativa já se espalhava pelo centro, especialmente pelo Calçadão e pelo entorno da avenida Paraná. O principal motor comercial daquele momento era claro: a televisão. Em 1982, a Copa consolidou no Brasil a migração em massa da classe média e do trabalhador urbano da TV em preto e branco para a TV colorida, e o comércio londrinense entrou com força nesse movimento.
Campanhas de lojas de eletrodomésticos exploravam o apelo de assistir à seleção de Telê Santana “com as cores reais” de Zico, Sócrates e Falcão, num contexto em que o crediário seguia como instrumento decisivo de venda. A própria Folha de Londrina, então já com mais de três décadas de circulação, fazia parte desse ambiente em que a Copa e o consumo urbano se cruzavam.
Mas o pré-Copa não se esgotava no comércio. Como em muitos bairros brasileiros, também em Londrina, as semanas anteriores ao torneio eram marcadas pela pintura das ruas e pela ornamentação verde e amarela. Nas vitrines, apareciam motivos da seleção e o mascote Naranjito, transformando a cidade em cenário de expectativa coletiva. Era uma Copa vivida antes do jogo: no bairro, na vitrine, na conversa de esquina, na prestação da televisão nova. Como a seleção brasileira estrearia contra a União Soviética em 14 de junho, em Sevilha, e os jogos ocorreriam em horário vespertino para o Brasil, empresas e repartições pelo país adaptariam suas rotinas para acompanhar a campanha.
Fontes: Acervo Folha de Londrina / Acervo Londrina Histórica.
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