2001

Em 2001, uma fotografia feita no interior da antiga Usina do Salto do Cambezinho registrou um conjunto de máquinas coloridas, cercadas por grades e acompanhado por um painel de mostradores. Havia quase 35 anos que a hidrelétrica deixara de funcionar, mas parte dos equipamentos que produziram eletricidade para Londrina ainda estava ali.
Na casa de máquinas, a água do Ribeirão Cambé movimentava uma turbina, acoplada a um volante de inércia que estabilizava a rotação. O gerador transformava esse movimento em eletricidade. Uma máquina menor, chamada excitatriz, fornecia a corrente necessária ao funcionamento do gerador. O operador acompanhava tensão, corrente e frequência em instrumentos analógicos.
Uma inscrição na turbina identifica a fabricante M. Hilpert & Co., do Rio de Janeiro. Tratava-se de uma empresa alemã estabelecida no Brasil. Já o gerador foi produzido pela indústria alemã AEG, conforme identificação apresentada pelo engenheiro José Fernando Mangili Jr. Eram equipamentos instalados em Londrina no final dos anos 1930, quando a cidade construía sua infraestrutura elétrica.
A fotografia também permite acompanhar o que se perdeu. Em 2001, o conjunto gerador ainda estava completo, e os painéis de controle permaneciam no local. Segundo Mangili Jr., entre 2011 e 2016, componentes foram furtados ou danificados, incluindo o painel de controle, barramentos de cobre e parte da excitatriz.
No levantamento realizado em 2025, restavam os equipamentos mais pesados: turbina, volante de inércia, gerador e excitatriz, com partes comprometidas e parcialmente soterradas. O estudo propõe que seus remanescentes sejam considerados em uma eventual reconstituição educativa da casa de máquinas.
A usina deixou de funcionar em 1967. Suas máquinas não produzem mais eletricidade, mas ainda permitem conhecer de perto os instrumentos, os materiais e os conhecimentos empregados para gerar energia em Londrina naquele período.
Fontes: Museu Histórico de Londrina / UEL – Usina do Salto do Cambezinho no Parque Arthur Thomas, Estudos Patrimoniais II, nº 5 / Foto: José Fernando Mangili Jr. / Acervo Londrina Histórica.
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