1970

A verticalização não aparece só na fachada. Ela aparece na pressão da água, na carga do transformador, na fila de carros no quarteirão. Entre 1970 e 2000, quando Londrina ergueu 1.670 edifícios, a cidade precisou adaptar sistemas pensados para outro regime: menos concentração, menos demanda simultânea, menos “altura” como padrão.
A água costuma ser o primeiro limite. Um edifício não muda apenas a quantidade consumida; muda a lógica de distribuição. Mais pavimentos exigem mais pressão, mais reserva e, em geral, ajustes finos para que o abastecimento não oscile por horário ou por bairro. A rede, que em uma cidade horizontal tende a se espalhar, passa a lidar com pontos concentrados de consumo.
A energia segue a mesma regra, com outro tipo de impacto. Elevadores, bombas, áreas comuns, dezenas de unidades empilhadas: um único prédio pode equivaler a um conjunto de casas em termos de demanda. Isso obriga a readequação de transformadores, reforço de rede e ampliação de capacidade, um trabalho que raramente é percebido como “obra urbana” porque acontece no subterrâneo, no poste, na subestação.
No cotidiano, o trânsito vira o indicador mais visível. A concentração de moradores e serviços em poucos quarteirões cria picos de deslocamento, disputa por vagas, carga e descarga mais frequente, travessias mais tensas. Não é apenas “mais carros”, é a rua mudando de função, porque o centro deixa de ser só comércio e passa a ser também residência empilhada.
Esse conjunto ajuda a entender um ponto: o edifício não termina na laje. Ele continua em rede (água, energia, circulação) e é aí que a cidade mede o custo real de crescer em altura.
Na foto, uma vista panorâmica da avenida Paraná, entre os anos 1970.
Fontes: Dissertação de Viviane Rodrigues de Lima Passos. A verticalização de Londrina: 1970/2000 – a ação dos promotores imobiliários (UEL, 2007) / Acervo Londrina Histórica.
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