1958
Filha de Rosa e Ângelo Planas, Walkyria Planas integra o grupo de antigos moradores cujas trajetórias se confundem com os primeiros anos de formação de Maringá. De ascendência espanhola e italiana, chegou ao então patrimônio em 1945, vinda de Bauru, no interior paulista, acompanhada da mãe e dos seis irmãos. O pai havia desembarcado anteriormente na região para abrir um armazém de secos e molhados no núcleo inicial da cidade, chamado Casa Planeta.
A mudança representou um profundo contraste. Acostumada à relativa estrutura urbana do interior paulista, Walkyria encontrou um vilarejo ainda marcado pela poeira vermelha, ruas rudimentares e construções improvisadas. Durante cerca de 45 dias, a família viveu em uma pequena casa de madeira até que a residência definitiva fosse concluída. Aos poucos, porém, o cotidiano simples ganhava sinais de modernidade: a casa dos Planas passou a contar com motor de geração de energia e também com geladeira movida a querosene.
A família Planas manteve fortes vínculos com o primeiro padre da localidade, o alemão Emil Clement Scherer. Walkyria conta que era comum visitarem a fazenda do padre, na região do Vale Azul. No entanto, quando chovia, ela e seus irmãos tinham que dormir devido à precariedade das vias. Depois que todos se recolhiam, Scherer mantinha-se reservado em uma área da grande residência, de onde as crianças o ouviam falar em alemão por meio de um rádio transmissor.
Mesmo estudando em colégios internos fora da cidade, Walkyria manteve fortes vínculos afetivos com Maringá. Em seus relatos, recorda a intensa colaboração comunitária na construção da Capela Santa Cruz. Entre as lembranças mais marcantes estão a chegada do trem em janeiro de 1954, recebida sob aplausos da população, a inauguração da fonte luminosa, em mai de 1957, e o Festival Nacional de Cinema em 1958, ocasião em que dançou uma valsa com o ator Anselmo Duarte no salão do Grande Hotel Maringá.
A relevância social de Walkyria Planas naquele período pode ser percebida também na revista A Estampa do Norte do Paraná, publicada em fevereiro de 1958, que tem sua fotografia na capa.

Walkyria casou-se com o dentista Sebastião de Almeida, personagem que mais tarde se formaria em Direito, área que passaria a se dedicar.
Fontes: revista A Estampa do Norte do Paraná, fev. 1958 / acervo da família Planas / Acervo Maringá Histórica.
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