1980

Entre os bairros que ajudaram a consolidar a expansão de Londrina para o norte no fim dos anos 1970, o Conjunto Habitacional Engenheiro Luiz de Sá ocupou lugar central. Com mil unidades habitacionais, casas de 34,37 metros quadrados em média, obras iniciadas em 30 de janeiro de 1978 e entrega em 18 de agosto de 1980, o conjunto foi executado pela Taba S/A, projetado para cerca de 3 mil habitantes e integrou o grupo inicial dos bairros que dariam origem à expressão “Cinco Conjuntos”.
O homenageado foi o engenheiro Luiz de Sá, nascido em Ponta Grossa em 17 de abril de 1936. Conforme dados encontrados no site da Cohab Londrina, o engenheiro teve atuação destacada como líder estudantil, era casado com a professora Mirian Passos Sá e foi morto em 9 de março de 1969, em Lages, Santa Catarina, quando auxiliava policiais na busca de um carro roubado por terroristas. O texto institucional afirma que o conjunto recebeu seu nome como homenagem à classe dos engenheiros, da qual Luiz de Sá poderia ser visto como símbolo. Nesse caso, o bairro carrega menos a memória de uma ação direta em Londrina e mais o sentido de uma homenagem exemplar.
Se o nome aponta para um ideal, a experiência dos primeiros moradores revela o cotidiano cru da implantação. Em matéria da Folha de Londrina publicada em 13 de novembro de 2018, o morador Osvaldo Fabiani, residente no Luiz de Sá desde 1978, recordava uma paisagem sem cercas entre os terrenos. Os limites dos lotes eram marcados por piquetes de madeira colocados pela construtora. A lembrança é precisa porque mostra um bairro ainda em estado inicial, quando a propriedade existia mais como traçado do que como muro, e a urbanização era algo em processo, não um quadro pronto.
Na reportagem de Vítor Ogawa, Fabiani também lembrava que “na época só tinha terra” e que havia poucos comércios próximos. Para comprar certos produtos, era preciso recorrer ao Heimtal ou ao centro. Essa situação ajuda a entender como os Cinco Conjuntos foram, antes de tudo, uma ocupação adiantada da cidade: a moradia vinha primeiro; a malha completa de serviços, circulação e consumo chegava depois.
Hoje, a paisagem é outra. Mas o Luiz de Sá conserva na memória de seus moradores essa fase em que o bairro ainda não tinha divisões nítidas e o chão urbano estava sendo inventado. Mais que um conjunto, ele registra um estágio específico de Londrina: aquele em que a cidade cresceu antes de se consolidar.
Fontes: Cohab Londrina / Ogawa, Vitor. “Quarenta anos em cinco”. Folha de Londrina, 13 nov. 2018 / Ogawa, Vitor. “‘Aqui era difícil’, conta morador”. Folha de Londrina, 13 nov. 2018 / Acervo Londrina Histórica.
* respeitamos nossos inscritos, não enviamos spam.
* respeitamos nossos inscritos, não enviamos spam.
Cookies: nós captamos dados por meio de formulários para melhorar a sua experiência no site. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade.