Londrina

Na década de 1970, os estudantes ocuparam a Concha Acústica

1970


A fotografia mostra a Concha Acústica tomada por uma multidão. Diante do palco, estudantes e moradores acompanham um ato público liderado pelo jornal Poeira, na década de 1970. A imagem registra um momento em que o centro de Londrina também funcionava como espaço de mobilização política e expressão pública.

A origem daquele movimento estava alguns anos antes, ainda no final da década de 1960. Jovens secundaristas dos colégios Vicente Rijo, José de Anchieta, Marcelino Champagnat, Hugo Simas e Instituto de Educação criaram grupos de estudos e de trabalho voltados à discussão de literatura, realidade brasileira e política. Em plena ditadura militar, eram adolescentes de 13 a 16 anos procurando formas de participar da vida pública.

Quando parte daquela geração chegou à Universidade de Londrina, encontrou um movimento estudantil nacional enfraquecido pela repressão e pela substituição dos antigos diretórios acadêmicos por estruturas controladas pelas reitorias. Em vez de abandonar esses espaços, os estudantes londrinenses decidiram disputá-los.

Dessa experiência surgiu o jornal Levanta, Sacode a Poeira e Dá a Volta Por Cima, que ficou conhecido simplesmente como Poeira. O grupo criou núcleos de estudo, pesquisa e literatura e conquistou posições de liderança no movimento universitário. Entre 1974 e 1981, manteve forte presença na política estudantil e promoveu a Semana de Atualidades, reunindo intelectuais, artistas e milhares de jovens em debates e manifestações públicas.

A atuação ultrapassou os limites do campus. Os estudantes organizaram mobilizações pela redemocratização e pela Constituinte e participaram das primeiras tentativas de reorganização da UNE durante a década de 1970. A Concha Acústica tornou-se um dos lugares em que essa disposição de ocupar o espaço público ganhou visibilidade.

A fotografia mostra uma geração que transformou praças, jornais, universidades e ruas em lugares de debate numa época em que fazer política podia significar enfrentar vigilância e repressão.

Fontes: Revista Helena, nº 1, Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, 2012 / Texto de Marcelo Oikawa / Acervo Londrina Histórica.

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