1971

No espetáculo “Gruta Conta Tiradentes”, apresentado no Festival Internacional de Londrina em 1971, Itamar Assumpção está no centro da cena. Naquele momento, ainda distante da projeção nacional que conquistaria anos depois. A montagem, dirigida por Nitis Jacon e realizada pelo Grupo Gruta, ajuda a revelar uma característica marcante da vida cultural londrinense: antes de alguns artistas ganharem reconhecimento fora da cidade, Londrina já funcionava como espaço de formação, encontro e experimentação.
A presença de Itamar naquele palco não foi um episódio isolado. Nascido em Tietê, no interior paulista, e criado em Arapongas, ele amadureceu artisticamente em Londrina. Em 1973, participaria de outro acontecimento importante da cena local, o show “Na Boca do Bode”, organizado com Arrigo Barnabé e Robinson Borba. Depois dessa experiência, mudou-se para São Paulo, onde construiria uma trajetória fundamental na música brasileira.
O ambiente que possibilitou essas experiências vinha sendo construído havia anos. Texto de Nelson Capucho, publicado na revista Helena, em 2012, pela Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, lembra que Londrina já contava, nos anos 1960, com festivais universitários de teatro, apresentações em rádios, igrejas, cinemas e colégios. Grupos como o GPT abriram caminho para companhias que depois se tornariam referências, entre elas Proteu, de Nitis Jacon, Delta, Armazém e Cemitério de Automóveis. Dessa movimentação surgiria o próprio FILO, que consolidou a cidade no circuito teatral brasileiro.
Fontes: Revista Helena, nº 1, Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, 2012, texto de Nelson Capucho / Acervo FILO / Acervo Londrina Histórica.
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