1962

Quando Renato Melito apareceu como candidato a deputado estadual, em 1962, sua fotografia já não representava apenas um aspirante à política. Por trás daquele rosto estava um homem que havia passado boa parte dos anos anteriores registrando em película o crescimento de Londrina e de outras cidades do Norte do Paraná.
Paulistano, nascido em 1918, Melito começou a filmar por iniciativa própria. Trabalhou com o governador de São Paulo, Adhemar de Barros, e veio para o Paraná em 1945, depois de ser convidado pelo então governador Moisés Lupion. Primeiro esteve em Curitiba. Depois se estabeleceu em Londrina, onde criou a Rilton Filmes e desenvolveu a maior parte de sua trajetória cinematográfica.
Seu cinema era essencialmente documental. Melito registrava acontecimentos, cidades, autoridades, empresas, festas e transformações urbanas. Nas décadas de 1950 e 1960, manteve inclusive o Cine Jornal Rilton Filmes, numa época em que os cinejornais exibidos antes das sessões eram uma das maneiras de o público ver acontecimentos locais em movimento.
A produção era quase artesanal. Melito dirigia, escrevia, produzia e montava os próprios filmes. Começou com uma câmera que, segundo contou posteriormente, precisava ser amarrada com arame. Depois utilizou equipamentos profissionais de 35 mm, entre eles uma Eyemo e uma Arriflex.
Também encontrou uma maneira de financiar o trabalho. Praticava o chamado “cinema de cavação”: comerciantes, empresas e instituições ajudavam a custear as produções e apareciam nos filmes, funcionando como uma forma precoce de merchandising.
Em Londrina, registrou acontecimentos como as primeiras exposições agropecuárias e a posse de Dom Geraldo Fernandes. Produziu ainda títulos como Jubileu de Prata de Londrina, de 1959, Londrina: A Capital Mundial do Café, de 1962, e Londrina: Terra da Promissão, de 1969.
Melito afirmava ter rodado mais de cem quilômetros de película em 35 mm. João Milanez, da Folha de Londrina, chegou a dizer que ele havia produzido mais filmes sobre o Norte do Paraná do que Hikoma Udihara.
Fontes: Cesaro, Caio Julio. "Memória: Produção Cinematográfica em Londrina", 1995. / Folha do Norte do Paraná (1962) / Acervo Maringá Histórica / Acervo Londrina Histórica.
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