Londrina

Nos anos 1960, Londrina quase ganhou um estúdio de cinema

1963


Em julho de 1963, um desenho publicado na imprensa mostrava uma construção que ainda não existia. Na fachada, em letras grandes, aparecia o nome Londrina-Maringá Films. A legenda explicava a intenção: aquele seria um estúdio cinematográfico a ser construído em Londrina.

Por trás do projeto estava Renato Melito, cinegrafista que já havia passado anos registrando cidades, acontecimentos e personagens do Norte do Paraná. Depois de manter em Londrina a Rilton Filmes e produzir documentários e cinejornais, ele pretendia dar um passo maior: criar uma estrutura permanente de produção cinematográfica na região.

A notícia apareceu na Folha do Norte do Paraná em 25 de julho de 1963. Melito havia comunicado à Prefeitura de Maringá a criação da Londrina-Maringá Filmes, cuja sede seria instalada em Londrina.

O projeto não se limitava à construção do estúdio. A empresa pretendia iniciar suas atividades com um longa-metragem chamado Sangue da Terra. A história, originalmente escrita por Amin Adum e adaptada por Melito, abordaria o surgimento das principais cidades do Norte do Paraná.

A proposta era especialmente ambiciosa para aquele momento. O trabalho que Melito realizava até então estava concentrado em documentários e registros de curta duração. Seus filmes tinham geralmente entre 15 e 20 minutos e eram exibidos nos cinemas das próprias cidades retratadas. As películas eram enviadas a São Paulo para revelação e de lá também vinham os narradores utilizados nas produções.

A Londrina-Maringá Films indicava outra escala. Em vez de apenas registrar a região, pretendia-se produzir nela um longa-metragem e construir uma infraestrutura própria para isso.

Enquanto preparava o projeto, Melito continuava exercendo o cinema que sustentava sua atividade profissional. Na mesma passagem por Maringá, negociava a filmagem do baile de debutantes do Maringá Clube e dos VII Jogos Abertos do Paraná. Era o chamado “cinema de cavação”: encomendas e publicidade financiavam as filmagens.

Fontes: Cesaro, Caio Julio. "Memória: Produção Cinematográfica em Londrina", 1995. / Folha do Norte do Paraná, 25 de julho de 1963 / Acervo Maringá Histórica / Acervo Londrina Histórica.

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