1936

Antes que os trabalhadores começassem o expediente, uma explosão sacudiu a Serraria Mortari, instalada nas proximidades da estação ferroviária de Londrina. Pedaços de ferro e madeira foram lançados para fora das instalações. Apesar da violência do acidente, os relatos preservados pela família não registram feridos.
A causa teria sido uma falha na válvula de descarga da caldeira, que impediu o alívio da pressão acumulada pelo vapor. Leonel Mortari, filho do fundador Amadeu Mortari, descreveu o episódio em entrevista concedida em 1995 e situou a explosão por volta das 6h30, antes da chegada da maior parte dos funcionários.
A serraria funcionava desde 1936 e utilizava o vapor produzido pela queima de madeira para movimentar suas máquinas. Naquele período, caldeiras faziam parte da rotina de diversos estabelecimentos industriais. O acidente expôs os riscos de um sistema que exigia acompanhamento constante.
O arquiteto João Baptista Bortolotti também registrou a lembrança da explosão: segundo seu relato, uma peça da caldeira caiu perto de sua casa. Descendentes dos Mortari contaram que a chuva ajudou a evitar que o fogo se espalhasse pelas construções de madeira.
O episódio levou à substituição da caldeira e a intervenções nas instalações. Uma fotografia preservada pelo Museu Histórico de Londrina mostra uma chaminé de alvenaria cercada por andaimes, na fase final de construção. Os pesquisadores consideram possível que seja a chaminé que permaneceu na rua Acre como vestígio da antiga serraria.
A data exata do acidente, porém, não está resolvida. Leonel o situou em 6 de novembro de 1939, enquanto outros documentos e lembranças apontam para momentos posteriores. O estudo patrimonial de 2025 “Chaminé das Indústrias Mortari” registra essa divergência sem apresentar uma conclusão definitiva.
A fotografia dos andaimes não mostra a explosão, mas ajuda a conhecer o que veio depois: a construção de uma estrutura ligada ao funcionamento da serraria, em uma Londrina que crescia entre máquinas, barracões e madeira.
Fontes: Museu Histórico de Londrina / UEL – Chaminé das Indústrias Mortari, Estudos Patrimoniais II, nº 1 (2025) / Acervo Londrina Histórica.
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