Londrina

Os homens e as máquinas da Serraria Mortari

1936


Um trabalhador concentra sua atenção em uma peça de madeira diante de uma grande máquina de corte. A fotografia, preservada pelo Museu Histórico de Londrina, registra o interior da Serraria Mortari e revela uma dimensão pouco conhecida das primeiras indústrias da cidade: o trabalho cotidiano de quem operava seus equipamentos.

Instalada em 1936, nas proximidades da estação ferroviária, a serraria transformava as toras retiradas das matas da região em materiais utilizados nas construções. Seus galpões abrigavam máquinas de grande porte, que exigiam habilidade e precisão dos operadores.

O trabalho também envolvia riscos. As serras e os demais equipamentos de beneficiamento da madeira exigiam cuidados constantes. Em depoimento recolhido para o estudo patrimonial das Indústrias Mortari, Gilseno Mortari Júnior contou que seu pai não permitia que os filhos trabalhassem na serraria, justamente pelo perigo das máquinas. Apesar da proibição, ele e os primos costumavam brincar entre os equipamentos, desafiando as recomendações dos adultos.

No período de maior atividade, após a Segunda Guerra Mundial, a serraria chegou a empregar mais de 60 funcionários, segundo pesquisa de Paulo César Boni, Rosana Unfried e Omeletino Bennato.

Entre os trabalhadores que passaram pelo empreendimento estavam personagens que depois teriam suas próprias trajetórias ligadas à cidade. Domingos Casoni, que chegou a Londrina em 1936, trabalhou como carreteiro e posteriormente na serraria. A chácara que adquiriu seria loteada, dando origem à Vila Casoni. Hélio Solci também iniciou sua experiência profissional ajudando o pai na Mortari e, anos depois, atuaria na Companhia de Habitação de Londrina.

As fotografias dos trabalhadores preservam uma parte dessa história que os registros das instalações industriais nem sempre conseguem contar. Mostram os homens responsáveis por transformar a madeira em peças destinadas às construções de uma cidade em crescimento.

Fontes: Museu Histórico de Londrina / UEL – Chaminé das Indústrias Mortari, Estudos Patrimoniais II, nº 1 (2025); Boni, Unfried e Bennato (2013) / Acervo Londrina Histórica.



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