1936


Uma pilha de tábuas, um trabalhador alimentando o fogo e, ao fundo, uma grande estrutura de tijolos e metal. A fotografia do interior da Serraria Mortari registra uma etapa essencial do funcionamento da indústria: a produção do vapor que movimentava suas máquinas.
Instalada em Londrina em 1936, nas proximidades da estação ferroviária, a serraria beneficiava a madeira destinada às construções da cidade. Para acionar seus equipamentos, utilizava a força do vapor, obtido pelo aquecimento da água em uma caldeira alimentada pela queima de madeira.
As fotografias preservadas pelo Museu Histórico de Londrina permitem observar partes desse sistema. Um homem introduz tábuas pela abertura da fornalha. Em outra, aparecem os fundos da caldeira e, à esquerda, um ambiente fechado por madeira e vidro, identificado no estudo patrimonial como a sala de máquinas.
Segundo o relato de Amadeu Antônio Mortari, o vapor seguia da caldeira para essa sala, onde sua energia era aproveitada para movimentar os equipamentos da serraria. Os pesquisadores, porém, não conseguiram determinar exatamente como a força era transmitida a cada máquina.
A chaminé tinha uma função diferente: permitir a saída da fumaça e dos gases da combustão. A estrutura de alvenaria que permaneceu na rua Acre fazia parte desse sistema, embora as fotografias da caldeira não tenham data conhecida e não permitam reconstruir todas as suas ligações.
O vapor também fazia parte da rotina de trabalho de uma cidade que crescia com a madeira retirada da região. Conforme lembrança da família Mortari, o apito da serraria era ouvido a vários quarteirões e assinalava horários do expediente e a pausa para o café.
Essas imagens revelam o que existia por trás da chaminé visível na paisagem: fogo, água, tubulações e máquinas, organizados para transformar troncos em materiais de construção. Uma parte da história industrial de Londrina que raramente aparecia nas fotografias das ruas e fachadas.
Fontes: Museu Histórico de Londrina / UEL – Chaminé das Indústrias Mortari, Estudos Patrimoniais II, nº 1 (2025) / Acervo Londrina Histórica.
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