1950

Um homem de boné, microfone à frente, corpo levemente inclinado em direção às crianças. Ao redor dele, meninas de vestidos rodados, laços no cabelo, meias brancas até a canela. Algumas olham para o apresentador, outras encaram a câmera com curiosidade contida. No canto inferior, parte do público acompanha sentado. A fotografia, da década de 1950, registra Pirajá, nome artístico de Aymoré Kley, à frente do programa Raia Miúda, no auditório da Rádio Londrina.
O cenário é simples: cortinas pesadas molduram o palco e um único microfone centraliza a cena. Não há cenografia elaborada. A estrutura é a do próprio estúdio adaptado para receber plateia. O rádio, naquele tempo, além da transmissão do som, era também encontro presencial. Havia público, havia palco, havia expectativa.
O Raia Miúda era voltado ao público infantil. Pela imagem, percebe-se que as crianças não estavam ali apenas como ouvintes, mas como participantes. Integravam uma programação que valorizava a presença ao vivo. O apresentador ocupa posição central, mas o foco se distribui entre os pequenos rostos alinhados diante do microfone.
A Rádio Londrina, fundada em 1943, consolidou-se como uma das principais emissoras do Norte do Paraná. Tornou-se palco de programas de auditório, musicais e atrações populares. O rádio criou uma rotina: programas com horários específicos, vozes conhecidas, jingles e narrativas que costuravam a cidade.
A fotografia guarda um instante dessa cultura radiofônica. Antes da televisão se popularizar, era ali que a cidade se reunia.
Fontes: Foto do arquivo de Cristina Kley Bognato / página no Flickr do Prof. Felipe de Faria / Acervo Londrina Histórica.
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