Paraná

Outro tesouro do Norte do Paraná - Década de 1930

1930


Quando pensamos na riqueza que impulsionou a reocupação do Norte do Paraná, o café costuma ocupar o primeiro lugar. Mas, antes dos cafezais dominarem a paisagem, havia outra riqueza literalmente de pé: a madeira. 

Na implantação do projeto agroimobiliário da Companhia de Terras Norte do Paraná, abrir a mata era condição para construir estradas, cidades e lavouras. A ferrovia foi decisiva para transportar aquilo que a derrubada revelava: peroba, cedro, imbuia e outras espécies de valor comercial.

Os números ajudam a dimensionar esse patrimônio. Um contrato de compra e venda firmado pela Companhia em 1938 estabelecia 500$000 réis por alqueire paulista — 24.200 m², ou 2,42 hectares. Estimativas históricas indicam entre 150 e 300 m³ de madeira comercializável por hectare. Adotando 200 m³, um único alqueire reuniria aproximadamente 484 m³. Tomando como referência 12$000 réis por metro cúbico, chega-se a um valor bruto potencial de 5.808$000 réis. Cerca de 11,6 vezes o preço da terra.

É uma estimativa comparativa, não uma avaliação contábil: o volume aproveitável e os custos variavam conforme espécies, qualidade, corte, transporte e beneficiamento. Ainda assim, a conta revela uma dimensão econômica frequentemente esquecida: naquele momento, a madeira nativa presente na mata podia valer várias vezes mais que a própria terra.


E há um dado eloquente: em 1938, cerca de um terço das cargas movimentadas pela Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná correspondia à madeira serrada. O café ainda não era o principal produto transportado. 

Paradoxalmente, essa riqueza foi muitas vezes destruída para que outra pudesse nascer. A madeira era queimada, abandonada ou utilizada de forma artesanal, enquanto o objetivo imediato era abrir espaço para a agricultura. 

As fotografias da região oriundas do final da década de 1930 registram, portanto, mais que o avanço sobre a floresta. Documentam a transformação de um enorme patrimônio natural em cidades, estradas, ferrovias e lavouras. Mais que isso. Elas revelam que, antes de ser a terra do café, o Norte do Paraná foi também uma terra de madeira, embora a maioria dos colonos tivessem condição de beneficiá-la. 


Fontes: Museu Bacia do Paraná / Instituto Isa e Gastão de Mesquita Filho / Acervo Maringá Histórica.

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